terça-feira, 23 de agosto de 2016

BIOMECÂNICA NOS JOGOS OLÍMPICOS | GINÁSTICA RÍTMICA


Durante os três últimos dias de Olimpíadas são realizadas as provas da Ginástica Rítmica (GR). A modalidade, que foi inserida no programa olímpico em 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (EUA), é uma das poucas modalidades que tem suas provas disputadas apenas por mulheres.
Fortemente influenciada pelo ballet clássico, a GR combina a execução de movimentos corporais como saltos, giros e equilíbrios, com o manejo de aparelhos, sempre acompanhado por estímulo musical. Uma destacada particularidade da GR é a grande amplitude nos movimentos realizados pelas atletas. A flexibilidade é uma capacidade física que proporciona graciosidade e maior dificuldade aos elementos corporais desta modalidade. Junto da flexibilidade, a força, a agilidade, o equilíbrio e a coordenação são capacidades imprescindíveis para se alcançar o ponto central da modalidade, que são movimentos rápidos e precisos.
Sem representantes em 2012, na edição Rio2016, o Brasil conseguiu classificação para as disputas individuais e de conjunto. A capixaba Natália Gaudio quebra o período de 24 anos sem representação brasileira nas provas individuais. No conjunto, as atletas Emanuelle Lima, Francielly Machado, Gabrielle Moraes, Jéssica Maier e Morgana Gmach buscam classificação para as finais. As grandes favoritas para a conquista de medalhas são as ginastas russas, tanto nas competições individuais, quanto no conjunto. Entretanto, outras nações do leste e sudeste europeu, como Bulgária, Bielorússia e Ucrânia, estão na disputa por um lugar no pódium. Nas disputas de conjunto, além dos países citados, Itália e Espanha também prometem deixar a competição acirrada.
Apesar do código de pontuação da modalidade exigir o conhecimento das bases biomecânicas dos movimentos, como planos e eixos, para avaliar os movimentos da modalidade, avaliações biomecânica tem se inserido aos poucos no esporte. Por ser uma modalidade que possui uma rotina de treinos bastante volumosa, a tendência está no entendimento das adaptações orgânicas geradas pelos treinamentos. Em competições podemos observar atletas sustentar posições com movimentos, de tronco ou membros, em angulações que excedem a normalidade e, ao mesmo tempo, acompanhamos tais atletas, que possuem com corpos magros, realizarem sucessivos saltos que exigem elevados nível de potência muscular. O que nos faz pensar em como se comportam as relações musculares de força X comprimento e força X velocidade nessas atletas.
Pesquisas tem sido desenvolvidas para entender a adaptação das ginastas em relação à arquitetura muscular, capacidade de produção de força e outros pontos relacionadas à neuromecânica muscular. Embora esses estudos requisitem sistemas avançados, outro ramo da biomecânica que vem sendo largamente utilizado na busca por mais precisão nos movimentos das atletas, a cinemetria. Embora de forma menos precisa, a evolução da tecnologia permite que hoje, utilizando smartphones e aplicativos específicos, treinadores e atletas consigam avaliar os movimentos realizados durante a rotina de treinamentos de forma quase instantânea, corrigindo eventuais erros. Dessa forma, embora tenhamos poucas pesquisas publicadas que envolvam a biomecânica e a GR, podemos perceber que os princípios a biomecânica tem contribuído pela evolução da modalidade.



Prof. Me. Anderson Simas Frutuoso
Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Membro do Grupo de Pesquisas em Biodinâmica – GPBIO (UFSC)